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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Dar as Mãos




Mãos que se entrelaçam
Chamando outras mãos
Para, em laços, dar as mãos.
Nada de repudio, de ódio,
De desprezo. Apenas viver,
Reviver de mãos dadas.
Não separar jamais,
Mas entrelaçar ainda mais.
A tal ponto de não se saber 
Que mão pertence a quem.
Quem olha somente vê
Milhares de mãos dadas.
Somando as diferenças 
E ajuntando o que somos iguais.
Nunca ficarmos sozinhos,
Mas andarmos de mãos dadas
Por nossos e outros caminhos.

(Gilmar Cabral)  

sábado, 27 de julho de 2013

Amigo Abrigo



A alma atribulada encontra abrigo
No abraço sincero de um amigo.
Não haverá mais confusões
Nem as dores antigas das ilusões
Apenas conforto e sorriso
Nas horas preciosas contigo.

O calor do peito e o afago
Mudam a vida e o sentido
Convencem-me de que preciso
Da presença, dos versos e das canções
Em tuas conversas agradáveis comigo.
Eu nunca te deixarei sozinho, amigo. 

(Gilmar Cabral)

terça-feira, 16 de julho de 2013

Escolhas



Hoje acordei com dores,
Mas o céu continua azul.
Não vou permitir que este dia tão lindo
Seja manchado pelo incômodo do que sinto.
Não vou deixar que os transtornos
E as preocupações
Roubem de mim a poesia,
A beleza singela de estar vivo
E o maravilhoso poder 
De fazer escolhas.   

(Gilmar Cabral)

terça-feira, 14 de maio de 2013

Aniversário


Parabéns!
Um dia especial?
Ou somente um dia qualquer?
Vai depender
De você
Ou de quem disser.

Parabéns!
Para alguém especial?
Ou apenas para um outro qualquer?
Vai depender
De você
Fazer desse dia o que quiser.

(Gilmar Cabral)

sábado, 11 de maio de 2013

Bagagem

 

Em minha bagagem,
Trago memórias
De muitas, longas e curtas viagens.

Choro, faca, pedra e dor
Estão pesentes
Em minha bagagem.

Cadeiras, cama, mel e calor
São sombras toscas 
De minhas miragens.

De sol a sol enriqueço
Os farrapos dessa pequena 
E despretenciosa coragem.

Amor, fracassos e alegrias
Representam pegadas frescas 
De minha desapercebida passagem.

(Gilmar Cabral)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Percepção


Sensações me abatem
Transmutam meu ser
E me comovem por entre
Reações sensoriais.
Perceptivelmente,
Estremeço-me 
Do frio da cabeça
Ao calor dos pés.
Sensitivamente,
É sempre assim:
A vida é exatamente
Como a percebemos,
Nem mais, nem menos. 

(Gilmar Cabral)

quinta-feira, 21 de março de 2013

Raciocínio




           Era uma vez um caso. Um desses que pode acontecer com qualquer um. E não é que aconteceu com um coitado: José Confinado, o plebeu. Como o próprio aposto declara, não tinha muitas posses. Morava com uma mulher e dois filhos numa casa bem humilde, ganhava um pouco mais do que o salário mínimo numa repartição pública. Era auxiliar de serviços gerais. Um cara legal. Não se metia em confusões e nem em trambiques. Ele “curtia” mesmo todos os dias ir para o trabalho, ganhar o pão de cada dia e retornar para a sua família. Nos finais de semana, ir a Igreja e tentar se divertir com as crianças, geralmente na pracinha perto de casa, onde os brinquedos comunitários e alguns picolés entretinham seus filhos e esposa.
            Nessa vida quase trivial, nada de novo acontecia. O salário não aumentava, no trabalho era sempre a mesma rotina e não sobrava muito tempo e nem dinheiro para algo inusitado ou diferente. Tudo igual, igual e igual. Estava tudo tão igual que até mesmo ele, que era acostumado com a mesmice, começou a dar sinais de tédio.
       Motivado pelo seu desejo de mudança, mas sem saber como alterar nada, José Confinado então decidiu que ia retomar os estudos. Tinha parado no nono ano de escolaridade, a antiga 8ª série. Em casa, conversou com a mulher, que prontamente o apoiou. Decidido, e com a força da esposa, matriculou-se no mesmo Colégio Público em que seus filhos estudavam, só que no curso noturno; para fazer o Ensino Médio. Grande foi a luta de José. Porém, como sempre, o humilde trabalhador venceu mais esta. Conseguiu terminar seu curso em três anos.
            No dia da formatura, algo inusitado aconteceu e não foi o fato de José ser o orador da sua turma na cerimônia tão aguardada. Naquela manhã, o agora formando do Ensino Médio havia se dirigido ao seu trabalho como sempre fazia. Pegava às 7 horas. Ao chegar, caminhou para o banheiro após assinar o ponto e verificar que não tinha quase ninguém em seu setor de limpeza. E olha que este setor era bastante frequentado por pessoas que vinham para tirar alguns documentos. Ficava cheio o lugar. Mas naquela hora não havia muita gente. Entrou no banheiro e fechou a porta. Você deve estar se perguntando: “e o que isso tem de inusitado? Não está tudo normal?” Aparentemente, sim. Só que no dia anterior foi posto um aviso na porta do banheiro masculino, esse mesmo que José usava: “Por favor, ao entrar, não feche a porta”. José esqueceu que já havia lido o aviso. Entrou e se fechou. É isso aí: o recado foi colocado porque a porta estava sem a maçaneta que controlava a lingueta acima da fechadura. Assim, a porta, ao ser fechada, ficava trancada por faltar o instrumento para abri-la. Como a chave ficava presa e rodava somente para o trinco da fechadura, José se trancou.
            Num primeiro momento, o “Novel Encarcerado” nem percebeu o fato. Fez o que tinha que fazer: o número 1, e depois lavou as mãos lentamente após banhá-la com o sabonete líquido. Enxugou-as e, ao se dirigir à porta, a crise. Tentou abri-la e nada. Percebeu que se fechou. Lembrou-se do aviso e ficou muito irritado. Disse: “essa não! Porque que eu fechei a porta? Agora estou preso!” Daí, notou que seu departamento estava enchendo de pessoas. Na maioria, mulheres por causa de um benefício específico para elas. Pensou de novo: “que mico que eu vou pagar se começar a bater na porta ou gritar para alguém me tirar daqui, ainda mais quando souberem que sou funcionário deste mesmo setor.” E a multidão ia crescendo. Já fazia uma fila quilométrica. O desespero começou a tomar conta e ele se deu conta de que não havia levado o celular. Pronto: ligar para quem se não tinha como? Chutou a parede de raiva, mas sem fazer muito barulho para “não dar na pinta”.
            O tempo foi passando e José tentando sair. Enfiava o dedo no buraco da maçaneta e nada. Olhava pelo buraco produzido pela ausência dela e via a multidão se avolumando. E na sua maioria, para seu desespero, mulheres. O plano era o seguinte: ficar quieto e aguardar até que um homem tentasse ir ao banheiro, pois assim notaria que estava trancado e obviamente buscaria ajuda para abri-lo, e, com sorte, o Confinado se esconderia e depois sairia como se nada tivesse acontecido. Entretanto, parecia que os poucos homens que circulavam ali estavam, como ele, com a próstata em dia, ou seja, não sentiam aquela necessidade doida de urinar, como acontece com quem tem o aumento desse órgão. Ninguém do sexo masculino dirigia-se ao banheiro. Passava um pra cá e outro pra lá e nada de forçarem a porta para entrar.
            José olhava pelo buraco e lamentava ninguém aparecer. Pensou: “até umas 11 horas alguém deve vir aqui, não é possível!” Deu meio dia e ninguém foi lá urinar. Preferiram o banheiro do segundo andar, que sempre era mais limpo. Até a pessoa que estaria escalada para limpar o banheiro de José não foi trabalhar naquele dia. Que dia!
            O impaciente “prisioneiro” se desesperava a cada minuto perdido naquela prisão. Quase decidiu gritar e bater na porta para alertar as pessoas ali presentes, todavia a vergonha foi maior e ele resignou-se ao confinamento. A fome e o nervosismo agora competiam em seu ser. Lembrou-se que a mochila ainda estava com ele, pois entrara no banheiro com ela. Olhou em volta e a viu no canto, perto da porta do compartimento usado por ele. Pegou a mochila e confirmou que a esposa, justamente naquele dia, não arrumara a sua marmita, já que sairia cedo para se aprontar para a formatura. Lamentou, porém, se a pobre marmikente estivesse ali, já poderia ter estragado sem refrigeração ou “esquentação”. Achou uns biscoitos que a patroa havia colocado no lugar da marmita e festejou! Comeu sentado sobre a tampa do vaso sanitário. Também tomou uma garrafinha de suco de laranja ajeitado na lateral da mochila pela cuidadosa mulher.
            O tempo foi passando e o desespero voltou. Poderia perder a formatura, que estava marcada para às 18 horas, e ele era o orador. Já eram 14 horas e nada de usarem o banheiro. Talvez a porta trancada inibisse o uso por parte dos poucos homens que transitavam por ali. José tentava o dedo, uma caneta (que trazia no bolso), olhava em volta e não achava nada que pudesse fazer a vez da maçaneta. Novamente, sentou e disse em voz alta para si mesmo: “calma, José. Pense em algo com calma. Preciso me tranquilizar para encontrar um meio de sair daqui sem pagar mico. É só raciocinar.”
            O pensador refletiu, refletiu e olhou novamente para a mochila. Pressentia que ali estava a saída. Raciocinou e disse: “o meu chaveiro! Deve ainda estar aqui na mochila!”. E toma revirar a pobrezinha e tome procurar: abre os compartimentos e fecha, até que numa bolsinha lateral inferior, achou o chaveiro. Foi como se tivesse descoberto um diamante. Pulou de alegria! No entanto, a animação foi dando lugar à constatação de que o problema não era a parte da chave, que possuía uma unidade fixa; mas sim que a dificuldade era o trinco da maçaneta. Murchou.
            Três horas da tarde e decidiu que iria fazer um escândalo, embora já não se encontrasse no recinto quase ninguém da multidão da manhã. Não conseguiu de novo. Agora iriam rir dele não somente por ter se trancado no banheiro, mas porque teve vergonha de pedir ajuda. Olhou repetidamente para o molho de chaves e raciocinou: “e se eu usar as chaves para simular uma maçaneta?” Tentou com a mais grossa e nada. “Não tem jeito”. Quando desistia, decidiu juntar a chave grossa com uma mais fina: pimba! Conseguiu! Nem acreditou quando a porta se abriu. Melhor, não tinha praticamente ninguém nesse momento. Pegou a mochila e saiu vitorioso como se nada tivesse acontecido. Encontrou alguns colegas que perguntaram por que ele estava até aquela hora no trabalho, tendo em vista que tinha dito no dia anterior que sairia cedo, para a formatura. José dizia que tinha tido alguns imprevistos no seu setor, mas que estava tudo resolvido. Rapidamente, fez seu serviço e foi embora para casa se aprontar, exausto.   
            Aconteceu a formatura. José Confinado estava todo bonito: uma camisa social branca, calça azul marinho e sapatos pretos bem engraxados. A família toda ali. Até os pais. Que orgulho! O único da família a passar a barreira do Ensino Fundamental. Na verdade, José já fazia planos para uma possível Faculdade.
            No momento exato, o agora “Livre do Cárcere” pôde fazer, ou melhor, ler o seu discurso, que havia sido cuidadosamente preparado por ele e revisado pelo seu professor de Português. A redação não era muito extensa, porém bem elaborada. Devido à experiência “incrível” vivida naquele dia, o orador alterou a parte final do texto que ficou mais ou menos assim:

            Enfim, com lutas chegamos até aqui. Mas esse não é o fim. É apenas o princípio de uma longa caminhada em busca do saber, do conhecimento. Sabemos que muitas pedras vão estar em nosso caminho; muitos imprevistos. Porém, saibamos de uma coisa. Quando o inesperado, a crise, o problema, a dificuldade e o desafio chegar, não devemos nos desesperar. É importante ter calma! Sempre haverá uma saída. É necessário parar e pensar. Raciocinar para encontrar a melhor estratégia ou quem sabe a única forma de superar a crise. Não nos esqueçamos de procurar ajuda. Não tenhamos vergonha de buscarmos a contribuição do próximo, mesmo que por um momento fiquemos constrangidos. É bem mais proveitoso pedir ajuda e ganhar tempo do que se estressar tentando resolver sozinho. Pode ser que solitariamente cada um de nós consiga vencer, todavia demoraremos e nos desgastaremos mais. Se agirmos assim, raciocinando e sem medo de contar com o outro, certamente triunfaremos e as portas da vida se abrirão para nós. Que Deus nos abençoe!
           
Na segunda-feira, José fez seu primeiro grande ato no trabalho já como ex-colegial: consertou a maçaneta da porta do banheiro, para não correr o risco de se trancar de novo, afinal, já havia se aberto para uma nova vida.              

(Gilmar Cabral - Livro Histórias Recolhidas)

terça-feira, 5 de março de 2013

Investindo um Tesouro




Mateus 6:21
“Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”


  • Tesouro no texto lido tem a ver com o que é mais precioso; aquilo no qual investimos tempo, atenção, amor e carinho.
  • O nosso coração está naquilo que consideramos mais precioso para a nossa existência.
  • Nós somos como tesouros nas mãos de Deus; e Ele já deu provas de quanto nós somos preciosos aos seus olhos: nos criou, entregou o Seu amado Filho por nós, nos dá vida, cuida da nossa família, isto é, investiu e investe em nós.
Você não pode ser qualquer coisa que deseja ser. Mas pode ser tudo o que Deus quer que você seja. (Pr. Max Lucado)

  • O nosso coração é um tipo de tesouro para Deus e por isso que Ele deseja tanto morar ali.
O criador das estrelas preferiu morrer por você, a viver sem você. (Pr. Max Lucado)

  • Quando investimos o nosso coração em algo ou alguém, estamos investindo um de nossos tesouros em tesouros.


  1. Investindo em Deus, nosso maior tesouro (Mt 25:14-30)  
Ø      Precisamos investir em Deus e isto acontece quando investimos no Seu Reino.
Ø      Podemos fazer isso: participando das atividades do Seu Reino.
O trabalho afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício e a necessidade. (Voltaire)

Ø      Dando um bom testemunho como cidadãos do Reino, contribuindo com ideias para melhorar as ações do Seu Reino, contribuindo evangelisticamente e financeiramente para a expansão desse Reino e usando os nossos talentos (nasce com você e o desenvolvimento acontece ao longo da vida), dons (capacitação do Espírito Santo) e habilidades (não são necessariamente inatas e você as adquiri ao longo da existência. Vou varrendo vou varrendo...) a serviço do Reino.
A sabedoria da vida não está em fazer aquilo que se gosta, mas gostar daquilo que se faz. (Leonardo da Vinci)

Não é o que você faz, mas quanto amor você dedica no que faz é que realmente importa.
 (Madre Thereza)  



  1. Investindo em você, o tesouro mais importante para Deus (Fl 4:08)
Ø      Investir em você agrada a Deus porque ele o ama e quer o melhor para você.
A tragédia do homem é o que morre dentro dele enquanto ele ainda está vivo. (Albert Schweitzer)

Ø      Investimos em nós mesmos quando: investimos na nossa vida espiritual, na nossa vida conjugal, no nosso aperfeiçoamento profissional, em nossos estudos.
Ø      Tendo pensamentos e sentimentos bons.
Purifique teu coração para permitir que o amor entre nele, pois até o mel mais doce azeda no recipiente sujo. (Pitágoras)  

Ø      Investindo em saúde e  lazer.
O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem. (Arthur Schopenhauer
  1. Investindo em nossa família, um tesouro que Deus nos confiou (Ef 5:22, 28; 6:1, 4).
Família é como varíola: a gente tem quando criança e fica marcado para o resto da vida. (Jean-paul Sartre)

Ø      Investir na família é compartilhar tempo, amor, compreensão, diálogo, respeito, dedicação e projetos. 
Ø      Investir na esposa – parar de achar que o que é do outro é sempre melhor.
A minha mulher fala tanto que fico rouco só de ouvir. (anônimo)

Ø      E no esposo – parar de achar que o que é do outro é sempre melhor.
Meu marido é nota dez: desmotivado, desanimado, descomprometido, desconfiado, desajeitado, desestruturado, desqualificado e desprovido de beleza.

Ø      Investir nos filhos – acreditar que eles são capazes...
A verdade é que a gente não faz filhos. Só faz o layout. Eles mesmos fazem a arte-final. (Luís Fernando Veríssimo)

Ø      Investir nos pais – honrar aos pais com gestos, palavras e atitudes. Uma canção antiga do Grupo Logos diz: “É assim que eu vejo se você ama mesmo a Jesus, pois honrar aos pais é um modo simples de andar na luz”.
Uma pessoa inteligente aprende com seus erros, uma pessoa sábia aprende com os erros dos outros. (Augusto Cury)

Muitas das falhas da vida acontecem quando as pessoas não percebem o quão perto estão quando desistem. (Thomas Edisom)

Não desista do Reino de Deus, nem de você e nem de sua família.

Conclusão:
  • Invista um dos mais belos tesouros da vida cristã (A Palavra de Deus) em seus tesouros:
Ø      No Reino de Deus – ensine, pregue a Bíblia.
Ø      Em você – estude e viva As Sagradas Escrituras.  
Ø      Na sua Família – compartilhe a Lei do Senhor com os seus.

A Bíblia é a soma de todos os livros que já se imprimiram. (Patrick Henry)
Sl 119:105


PR.. Gilmar da Silva Cabral