segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Vidros


Gilmar Cabral

Transparentes e cristalinos
Quase transpassam a minha alma.
Consigo me ver do outro lado
Na imagem refletida no espelho,
No contorno das garrafas,
No arredondar dos copos, dos pratos,
Límpidos e alvamente puros.
Espalhados em formatos, em pedaços,
Nas ruas, residências, janelas, portas e quintais.

Em sua constituição pós-fásica da areia,
Por minúsculos grãos de quartzo,
Amontoando-se em geometrias
Figurados em porta-retratos, vasos, cristaleiras,
Vitrines, aquários e prateleiras.
Vidros forjados no fogo,
Na prova da purificação.
Reluzindo na chama que queima e revela
A transparência da identificação.

Nos lustres, nas lâmpadas,
Refletindo a luz natural.
Sempre encontro pequenos detalhes,
Nas vidraças das Catedrais:
Meus estilos,
Meus gestos,
Meus versos,
Meus rostos,
Nos desenhos esculpidos nos vitrais.

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